sábado, 23 de junho de 2012

A outra estrada - por Sergio Martins

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Não confunda encostamento com acostamento.
Não há despensa, nem dispensa ou conveniência,
só esse desmedido punhado – de emergência.
E porque é tarde, terei que voltar,
talvez para o antigo e estranho lar;
pois já não penso em perder tempo.

E porque é noite, terei mesmo que partir
e isso não não é abandonar,
é que tenho pressa por seguir
a trilha onde a vida está a pulsar.

Por fim, (não) seria perfeito todo aquele sentimento
e teus olhos de adeus se perderiam mesmo do meu olhar.
Não foi egoísmo, o simples capricho de mentir, desmerecimento...
Os bons passados e os vazios de agora são ofícios do autorrebuscar.

Essas portas abertas, luzes acesas, o amor ardente,
o céu entreaberto, o medo perdido na noite fria...
A dor era outra: o desejo de viver intensamente.
A felicidade era a outra estrada - que de lá não se via.

sábado, 16 de junho de 2012

Diminuto - por Sergio Martins




"Há centenas de planetas imensos nas galáxias incontáveis e desconhecidas enquanto tento encontrar meus papéis e à minha frente, dezenas de frases soltas tentam se remontar nesse pequeno dos pequenos planetas; e isto é o que restou-me de toda a caminhada: ser diminuto. Sou nada mais que um-só. 

Ante à convergência, o equilíbrio e o companheirismo que regem os astros, possuído pela beleza que compõe toda a gravidade e a agudez dessa harmonia celeste, eu desisti de viajar, fiquei cá embaixo à mercê das enviesadas verdades e estranhos convites desses papéis em branco, dessa transparência advinda da meia-luz da madrugada que me reflete - são as vozes do mar que deslizam esse ser diminuto. Sou nada mais que um-só."

terça-feira, 12 de junho de 2012

Soneto para namorar - por Sergio Martins

 

O íntimo da noite é clareza de luar despindo-me a frieza inquietante,
lá onde canso e me refaço a juventude muitas vezes por querer
seu leito quente, sua voz rouca ondeando o mar em sopro delirante
e então, numa dança ao toque das sombras, temos um só prazer.

A auréola colorida do seio lunar cresceu sobre os capinzais eriçados
à brisa dos lábios amantes da luz negra - amores descompassados: 
o lírio branco sorri aos desvarios de vulcão espargindo alegria
feito borboleta levitando alto, gozando em liberdade e poesia.

Sem assustar-se com o sentimento, o coração fará o dia florescer,
então, dormirá o passado pra se acordar junto ao novo abraço: 
sentir que tal mundo é o melhor lar, anseio de chocolate e amar.

Finda a euforia, há de se ter a calma dos montes no sol de amanhecer,
num sussuro de gratidão onde ouve-se a harmonia de tempo-espaço:
Belle Époque e paixão: céu e terra em sinfonia lírica para namorar.
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