segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Catavento - Sergio Martins






No pequeno redemoinho
que passeia pelo chão do quintal, estou...
Vejo um grande moinho
a carregar vendaval que em mim flertou...
Folhas suspensas ao céu alegrinho...
Menino solto na ciranda, cantiga de roda cantou...
Gira catavento num sopro de carinho..
.Roda gigante de teu olhar que me encantou!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Teu amor - Sergio Martins


A fome nos apressa e nos põe a fazer coisas pelas quais nos desconhecemos...

O domingo fica mais estranho com o passar dos anos e sempre nos lembra do momento da porta fechada com violência e assim ficamos com a sós com os ecos dessa batida furiosa... 

A fuga do desejo outrora alcançado e todo o ideal de felicidade que nos afugentou e que agora apenas é filme antigo, sobretudo, nos informa que também somos culpados: espectros que tocam e nunca são tocados, veem mesmo não sendo notados...
Cúmplice do caos, te convido ao meu último e melhor vinho que bebo todos os dias, pois tua companhia prazerosa não me rouba a solidão amiga. Nesta nebulosa e fria noite comeremos da arte que nos consome o corpo e a alma, de maneira que acharemos graça em nossos rostos melancólicos e risos entreabertos e foscos. Às tenebrosas melodias do piano, me aquecerei em teu colo noturno, pálido e letal em que abraço a morte ofertada em seus carinhos. Antes de deitar-me em nossa cama onde sou possuído pela ternura da morte a cada noite, farei meu túmulo para dormir em paz, sentirei o prazer de teu amor que, em desespero, anseio tê-lo sempre; pois só ele, o teu amor, não apaga a luz de minha bela e devotada amiga tristeza.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Opostos - Sergio Martins







De teu corpo, o orvalho foi chuva sobre inférteis areias de frígidas noites não havendo rocha que se esculpisse em beleza feliz aos teus cálidos banhos e como numa viagem perdida, ao menos uma pedra do deserto rochoso limpou-se com as gotas mornas que de ti emanam qual carinho permanente do tempo sobre a indiferença eterna desse andarilho perdido e insensato desnorteando seu chão e suas flores.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O lado outro - Sergio Martins





Haveria muita chuva de verão
para tanta festa de praia
e o céu de Janeiro assistiria
roda de samba, capoeira e dança de amor,
o tempo ficaria imenso nos braços daquela paixão intensa,
da loucura e da euforia - crianças no jardim...
Mas aquela rima era quebrada
e ela quis ser oposta,
o lado outro que era de par em par
entendeu tudo errado...                                                                                                                                                      
Até vir frio de ausência, chuva de granizo, viagem e nostalgia...
E num entorpecimento, no susto e na alvorada das ideias, este insensato moleque viu-se tão feliz no estranho e novo caminho onde o perder-se é sentido maior e prazer...
De Janeiro a Janeiro, eu e essa bela novidade vemos e temos só o que queremos: cores e luzes do inesperado que não mais assustam, pois norteiam nossos pés curiosos, calmos e ébrios.

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