domingo, 24 de março de 2013

Soneto simplista




A passo e sereno se passam os dias pelos campos em flor,
no panorama extenso da fazenda ao amanhecer
onde na ária do Sabiá, posso enfim, reconhecer
minha casa: viver é um canto solitário de prazer e amor.

No cesto de palha estão as novidades da horta. A poma deliciosa
da terra que degusto com reverência espiritual, toda a sua baga,
a semente oculta da Amêndoa, cada frutescência que me acaba
em gozo quero descobrir e levar para a Cidade Maravilhosa.

Das plantações de milho que bailam qual ouro ao vento, para ti,
minha joia agreste, ninguém dançou como eu, famélico de tua
vida; que nasça o dia, pois o tédio e o medo não existem aqui!

E acontecerá que outra vez, pela noite, o Capim-limão em ansiosa secura
aguará-se para encorpar-se ao copo da uva que alegra, excita, embriaga e
adoça, já que para sua verve nenhuma Camomila causaria útil brandura. 

sábado, 2 de março de 2013

Solilóquio - Sergio Martins



                                                                      
Quebrada, a rima permaneceu em nós qual ensaios de felizes e passadas noites de sonho e sono... Talvez porque eu não consiga ser nada mais que eu mesmo e isso, muitas vezes, é como ter que desfazer uma construção de ideias e ideais para ter o meu lugar no Jardim Novo.

A música leve e inebriante do seu corpo etílico ainda dorme em minha cama feito perfume dos Crisântemos que acalmam os funerais; mas embora ser feliz seja coisa normal, não sei ser feliz sendo tão normal quanto...

Agora, neste inquieto Março, sei que em sua companhia, sempre conversei a sós comigo... E agora, contigo, só falo em pensamentos... Nas envelhecidas fotografias veem-se casamentos e carnavais aos fragmentos e em mofo; ao passo que as cordas do meu violão destruído ficaram de pé, olhando o céu estrelado à semelhança dos caules de flores cantantes que insistem em ofertar beleza nesse solo decadente.
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