terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Lúcia - Sergio Martins









Lúcia, menina mimada e pirracenta, gosta de brincar de ser Deus: ter o controle, o poder sobre pessoas.  E assim, não suportava o fato de perder ninguém de suas rédeas. Ela não amava. Deliciava-se na pretensão de adquirir a liberdade do suposto ser amado.                                 
Lúcia abria mão de um homem quando este, por ela se apaixonava; contudo, jamais lhe concedia alforria. Ela, bruxa sádica e perspicaz, trazia consigo a alma de muitos homens, presas aos seus caprichos egoístas.
A ideia de estar no lugar do outro, de estar no topo da cadeia, de ser venerada e disputada a fazia sentir-se viva e agora que suas tramas lhe põem num emaranhado de intrigas, para fugir do tédio e horror, Lúcia quer ressuscitar o espírito de um ideal romântico, de um passado bom, porém, tal feito seria uma feitiçaria que se voltaria contra ela em proporções inimagináveis.  
Lúcia sempre adorou jogar, no entanto, de pouco em pouco as pessoas queridas conheciam suas velhas táticas e assim que enjoavam, viravam sua mesa. Por isso, ela achava-se vítima de tudo e todos; culpando o mundo por suas sandices infantis e invejas.
O tempo virou.
O mundo farto de tédio pesou,
deu muitas voltas e lhe desabou.
O universo que ela mesma criou
perdeu a cor e a destraçou.
Seu corpo definhou .
Seu maior débito de amor não vingou.
“A luz se apagou.

 A Lúcia pagou.”
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visualizadas