
Escrevo porque não posso frear o impossível: controlar as vozes que nascem poeticamente em mim, como a beleza irrefreável do crepúsculo - é a arte quem me guia. Nesse mar há paixão e verdade essenciais a mim, tanto quanto o oxigênio; de modo que é nisto que contém sentido: tornar-me legível (para mim mesmo), ainda que minha caligrafia seja de certa forma ilegível.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
poeminha pra começo de festa - por Sergio Martins

quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Volta ao lar - por Sergio Martins

sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Prosa de volta - ao lar - por Sergio Martins

quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Para não esquecer - por Sergio Martins

terça-feira, 16 de agosto de 2011
O caderno de poemas - por Sergio Martins
Imagem: Google
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
A montanha por Sergio Martins

A luz mortiça da vela tremulou
- feito um amor prestes a nos renascer ...
Os mares azuis permanecem
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Mar de Agosto por Sergio Martins
Estou doente de sentir frio e de ver beleza,
de colher Crisântemos e de plantar tristeza:
sofro os males de Agosto,
vício de beber etílico mosto,
sintoma de contra-gosto,
alergia ao racional gosto,
febre alucinógena por excesso de gosto,
lesão por esforço repetitivo de anti-gosto,
falência múltipla dos órgãos de "bom" gosto,
distúrbio visceral incapaz de desgostar,
ânsia crescente de tudo agostosar,
melancolia agostocêntrico-bucólica,
pânico agudo da vida agosto-simbólica,
comportamento agosto-compulsivo,
surto autoagostino,
lirismo agosto-progressivo,
acidente agostino-traumático,
aspiração agosto-almático...
E nesse amargoso mar de Agosto,
a gosto da paixão fez-se o meu esgoto
onde vou me agostando de desgosto;
no trágico agouro que põe sal a gosto.
Imagem: Google
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Autorretratos e anéis por Sergio Martins
Foi manhã teu andar no alvo da noite
e eu, prazenteiro, li na areia de tuas pegadas
o choro vencido no tempo das luas amadas
à nossa aragem feito amor sem açoite.
Foi noite teu olhar calmo de amanhã
e em desespero vi que tudo era fumaça,
fogo extinto que já deu vida de graça
à nossa viagem feito prazeres de maçã.
De Agosto foi teu corpo pálido em arrepio,
foi de boa chuva todo o teu breve gozar,
de verdade foi tua paixão e teu abandonar;
foi infeliz a outra rua de teu olhar tardio?
Mas há tantas madrugadas gris
retratadas nesse rosto e em papéis,
e há tantos créditos e débitos que fiz
de tarde em tarde autorretratos e anéis.
Do teu olhar não me surpreende a morte
e se vou em fragmentos até meu último fim,
é porque já não sofro demais; pois é só assim
que sorve as gotas de vida e sonhos o meu norte.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Soneto para menina - Por Sergio Martins

Aprendi a me contradizer, restaurar o sorriso,
esperar só o que me espera; de modo algum,
deitar-me à sombra do avesso em que piso.
hoje é cheia, grávida de alegria: farol divino
sobre a escuridão do mar. E já é distante
todo acorde, dedilhar e solfejo em desafino.
a vida é partitura que se lê para o prazer da alma,
e no negro violão não se toca mais dissonante amor.
de namorar (essa poesia), e tudo será belo e calma:
Vitória-régia cujas flores são reveladas ao anoitecer.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Dê-me - por Sergio Martins
terça-feira, 12 de julho de 2011
Inverno em escuridão - por Sergio Martins
Antes de amanhecer, a neblina
encobre o bosque, a algazarra de espíritos sombrios harmoniza o labirinto de árvores
acima do pântano, e assim adentramos o tenebroso caminho, pois o desejo que nos
une é de fugir da simplória vida humana.
O inverno na escuridão da madrugada
é liberdade, a paz é tão viva no cemitério das ilusões, e eu me apaixono todos
os dias pelo mesmo cadavérico amor– quão belas são as luas cheias em teus
olhos, amada morte minha!
Enquanto os vivos dormem, fugindo
de suas feiuras existenciais, o frio nos acaricia, a fuga já não tem razão, e desejamos
a mesma fogueira: nossa arte brilha mais que a dor, pois matamos o que nos
matava para eternizarmos nosso amor.
Agora, toda a nossa festa no
mundo dos mortos de tanto amar, é como um sorriso (sarcástico de Deus) diante
das loucuras da desumana Terra.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Bossa - por Sergio Martins
a fogueira branda enfumaçando o pacto de amor...
O mundo festivo se tornou neste belo corpo falecido, abraçado à insensatez das horas, mergulhando o véu e a grinalda na lembrança romântica: a brisa matinal se levanta enquanto a moça se deita sobre a areia da praia, observando a maquiagem desfeita no espelho d'agua, que clareia e reflete o céu nuvioso e calmo – que se tornou o seu embaçado rosto.
Velado pela lua minguante, o buquê de rosas casamenteiras se enterra na areia qual crisântemo– vida suprimida no túmulo. Silente, a noiva abandonada guarda sua aliança nas ondas, degusta o nobre champagne, desenha um coração na maciez úmida que se desfaz na amarga espuma, rega seu vestido ouro branco com flores chuva de prata; mas nada procura, nem mesmo quer se encontrar, apenas se entrega à força da natureza.
Defronte ao mar, que canta a eterna bossa de sua melancolia, todos os dias as ondas entoam a mesma marcha fúnebre, afogando os sonhos, lançando à areia as lembranças felizes, levando o espírito que insiste em se apegar ao corpo funesto corpo.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Ária do corpo etílico - parte 3/ final - por Sergio Martins
.jpg)
terça-feira, 28 de junho de 2011
Ária do corpo etílico - parte 2 - por Sergio Martins
Imagem: Google
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Ária do corpo etílico - parte 1 - por Sergio Martins

* Jardim Novo é o nome do sub-bairro de Realengo (zona oeste carioca) onde moro.
Imagem: Google
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Demora - por Sergio Martins

A lua imensa e próxima também é
frívola sob este mármore negro, iluminando o tempo em que sua boca se pintava
ao meu beijo. O fugidio sol de inverno entre nós, qual flor de vida breve, é
navio que, mesmo indo ao encontro de quem o espera ansiosamente, jamais chegará.
Aguda e gélida, a brisa estremece o corpo e remete à alma todas as cartas e amores desejados que não chegaram aos seus destinos. O crepúsculo delongado dorme aos braços da noite, desdenhando a crueldade humana: o velho que acende o cachimbo, e com seu olhar vespertino, da calçada, vê a beleza que passa alegre na rua, ignorando toda a antipoética existencial.
Feito acordes de violino anunciando a chegada do mundo sonhado, dançam os galhos secos e os guarda-chuvas à sinfonia fúnebre da chuva tranquila e duradoura, abraçam-se os convidados do velório, e o sepultamento encerra as pretéritas lástimas: o antigo mundo inexiste, tudo é melancolia de inverno, a beleza triste do nosso túmulo, a eternidade em lírico descanso.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Verve - por Sergio Martins
Imagens: http://simplesmenteelegante.com/
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Tempo-espaço por Sergio Martins
Imagem: Google
domingo, 12 de junho de 2011
Soneto ao dia dos namorados por Sergio Martins
Desse junho, jamais serão tardios os floreios, após as sinfonias inoportunas ou à lentidão das horas e lágrimas (finalmente secarão)pela manhã doce que bebo em vossos seios.
Sem essa dor do desfolhamento outonal dos namoros(destingindo e arrebatando florais no tempo-espaço em que amais),não restarão, da poesia, só efêmeros e tristes choros?
Por que vós, em seus caminhos não mais floris?Colheis, pois, da floração de nosso outono,a flor única, que perfuma o amor do qual partis.
Despetalando e entorpecida, venhas, meu divino provento!Porque a vós oferto este ramalhete para o meu bom sono:do corpo quente, apanhar-te-vos-ei a flor do meu sustento.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Frutos do outono por Sergio Martins
Foto: Google
terça-feira, 7 de junho de 2011
Broto de bananeira - parte 4/ final - por Sergio Martins
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Broto de bananeira - parte 3 - por Sergio Martins
sábado, 4 de junho de 2011
Broto de bananeira - parte 2 - por Sergio Martins
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Broto de bananeira - parte 1 - por Sergio Martins
Foto: Galeria de Maíra Ventura: http://www.flickr.com/photos/21664287@N08/with/5455943019/
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Sírius por Sergio Martins

domingo, 29 de maio de 2011
Azul por Sergio Martins
Azul celeste descortinou-se no outono de Maio.
Azul azulejou o olhar matutino.
Azularam crianças na pracinha e litorais dos amantes.
Azul de um mar calmo na ventania esquisita.
Azulzinho clareou nos olhos de Jamelão.
Azul ímpar de Sanhaço no ar colorido.
Azul-água esverdeando o rosto cabisbaixo.
Azulão do crepúsculo vespertino.
Azul excêntrico das ondas marulhando...
Azul-caneta desse colibri vadio
rabiscando seu pseudopoema no ar:
Azul escuro que enobrece sua vida passageira.
Azul vivo de fora a fora que não o adentra.
Azul desbotado da lembrança que voa
(em sua) madrugada apagada.
Foto: Google
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Soneto aos versos teus por Sergio Martins
Se anelo ter um verso em seus olhos
onde um imenso mar verde me alcança,
Já não sei se é perdição ou esperança
o que me faz ver o ridículo dos sonhos.
Vistes-me em desvarios cantarolar, a lua musicar,
nos quadros rever-te, nos poemas tão bem lhe compreender...
e tanto se acostumou com meu sorriso que deixou de perceber
o esvair do seu brilho quando fostes regressar...
Ao clima irresistível no entardecer de minha outra razão
em que senti seu acalento quando corrias para me ver,
de tudo que amanheci, se anoiteceu todo meu coração...
Então, se insisto no anelo de ter um verso em seus olhos,
é bola de neve na ladeira desse outono a me levar:
em meus olhos ter o verde mar- deslumbramentos nossos!
Imagem: Google
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Maris por Sergio Martins
Boneca de porcelana.
Bailarina da caixinha de música.
Ursinhos de pelúcia,
vestidos de seda,
Petit Gateau e Caviar,
mundo rosa e branco
numa redoma de vidro.
Dizia não e pensava em sim.
Fazia pouco caso; todavia, queria mais.
O louco de amor partiu.
Ela sentiu saudades.
Desencantou-se da fantasia.
Enjoou-se de ser deusa, humanizou-se.
Viajou para bem longe, mas encontrou-se
batendo à minha porta.
Eu abri. Ela entrou. Fez-se rainha da plebe
e de minha casa - nosso eterno lar.
Pintura: óleo sobre tela de Delphin Enjoiras (1857 - 1945)
terça-feira, 24 de maio de 2011
Horizonte crepuscular por Sergio Martins
domingo, 22 de maio de 2011
Soneto da sagrada carne minha - por Sergio Martins
Sagrada carne minha, valha-me sempre desta razão:
desesperadamente sustentar-me de ti,
e que a felicidade seja o presente; aqui:
terra fértil onde no raro prazer fiz nossa canção.
Água límpida e fresca que salta dos seus abismos secretos,
crescente vida pondo luz nesse olhar,
que na paz silenciosa me faz musicar
a ânsia de embriagar-me no gotejo imanente dos seus afetos.
Na minha aridez, brota de teu ventre incessante harmonia,
a tarde de outono que dorme sombria, em sua companhia,
é como um "alegro" de D. Scarlatti ao fim da triste sinfonia!
Fruta pão de carnosa pompa e maciez- precioso sabor-;
é com a força do suor, leite, mel e vinho da minha dor
que celebro a ceia deste tempo sacramentado pelo amor.
Imagem: Alessandro Allori, 1535-1607, Vênus e Cupido
Postagens mais visualizadas
-
O cupido é um anjinho bom que se diverte arrumando namoro para todos e fazendo muita gente feliz. O Renato, por exemplo, era um cara ...
-
Nas esquinas de sonatas vi você passar e o "ali" já não havia... Nas ladeiras desse amar-te ouvi dizer que no inverno o flore...
-
Na mesma praça, no sempre novo e único crepúsculo vespertino de Dezembro em que se banhavam com as cores e luzes fervescentes do verão...
-
A barquinha corta o mar deixando um traço branco de espuma por onde passa igual a esquadrilha da fumaça que desenha um coração de nuvem n...
-
"A guerra nunca é um fim último (...) Na terra de quem ama, até a morte é adubo e a tragédia, fecu ndidade."
![[livro_ao_mar.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgk9k0rXWc9KtD-vmyui7z9ThhfsobRf4pF_jSnQ_H2ERF0sFamkbAF0JybWGy7bBXmd6Jg72LPOJASlFyLA1qGl8Dhwyttjj-XbG4H0V0MO76EfDo5YqhgjNX2499reMS4ZiYzyalTtw/s1600/livro_ao_mar.jpg)


