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sábado, 9 de novembro de 2019

Eu, ator - Sergio Martins

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Nem a calmaria do amor seguro e morno nem a ebulição da paixão.
Respiro agora o ar puro dos meus próprios caminhos livres dos tédios e cansaços de antigos sentimentos.
Passada a ânsia pela chegada da aurora, transito distraído e absorto dos alheios mundospela certeza de que a caminhada é enlace prazeroso.
Já não faço os personagens que, a fim de agradar ao público, como ator cumpria; porquanto, sem a dependência por aplausos ou vãs companhias, passei de expectador de juízo alheio para cumprir meu único e inalterável papel: viver a minha vida. 

domingo, 23 de outubro de 2016

Ode às deusas - Sergio Martins

Olimpo




Encontrei as significativas maravilhas do mundo, as verdades absolutas do meu universo: a liberdade e a felicidade. E para mim, elas revelam-se irresistíveis e inegociáveis; portanto, há tempos, tornaram-se meu único e eterno norte.  

Nesta nova idade das trevas, sei o quanto tudo isto é absurdo para os que não se permitem ao caminhar ébrio e ensandecido de poesia - agarrados a tudo o que é "politicamente correto", moral, concreto, normal, seguro, destemperado...
Liberdade e felicidade: irmãs e deusas gêmeas que regem minha constelação...

Neste universo depressivo e bipolar, ambas as divindades me dão a certeza que, de outra forma, meu caminho seria apenas um fútil e enganoso ensaio.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Sergio Martins - Ensaio sobre divindades








  Nem o conceito oriental sobre Deus como sendo a força emanente e transcendente, nem a concepção-máxima-teológica que rege as vertentes religiosas advindas do cristianismo ocidental; a qual, define ser Ele, um ser pessoal, totalmente bom e que controla todas as coisas dentro e fora do universo. Para mim, acredito que a divindade suprema deveria ser feminina, um grande seio que nos amenta, um colo materno; isto já excluiria o machismo e outros "ismos" que O fizeram "à imagem e à semelhança do macho".             

     Eu creio é no Grande Mistério. Ora, a Graça está no devir do conhecimento, no prazer da procura e não na "semgracice" dos "explicacionismos". É a sensualidade que me provoca a atenção, o apetite e o prazer, é no erotismo de uma flor que, em desabotoando, bem devagar, pétala por pétala, diante das alegrias e tristezas diárias e naturais, se contrapõe a toda explicação pornográfica dos religiosos que nos rouba o direito do imprevisível, da poética que revela caminhos, questiona e saboreia em vez de criar definições; e é da surpresa, do espanto e do questionamento filosófico diante do óbvio e inexplicável, que se faz um caminho reticente, cheio de luzes e cores. 

 "As circunstâncias, as motivações e os conceitos sobre as divindades, sem a perspectiva da razão lírica e do pensamento crítico-filosófico, é apenas uma extensão das patologias inconscientes que a psicanálise sabe bem explicar nos seus ensaios sobre sexualidade, medo, posse, culpa, aversão, medo..."

  A cada dia amo mais intensamente a beleza e a ela prostro e silencio-me em adoração. 

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Livre ser - Sergio Martins



                   Dentro de mim, 

                   ser livre é mais valioso

                         que mostrar minhas asas.

Libertar asas - Sergio Martins




      "Possuir asas alheias

          não te fará 

      um pássaro voador."

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Da fábrica - Sergio Martins

Existe a “fábrica” de “poetas”, a compulsão pelo escrever, o afã em ser e, portanto, o desespero em mostrar a produção na tentativa de autoafirmação e encontrar uma identidade profissional e social e tantas outras vias sinuosas e escurecidas. Eu, (independente, rebelde e um tanto obstinado em escrever, sempre tive a dificuldade de aceitar o divã, acho-me livre e feliz demais para ter que pagar para ceder meu tempo e ser objeto de estudo; talvez tudo isso seja produto de meu contentamento com os prazeres de cada dia), continuo acreditando que escritores podem ser formados na universidade; mas poetas não. Ou se tem um olhar para dentro de si e com isso se consiga ter olhos encantados para o universo ou nada feito. A observação e a experimentação do prazer diário devem ser o fim último de minha vida. Poesia não se aflora na escola, é preciso ter um caso de amor com a vida e consigo mesmo para incorporá-la.
"Uma rua é escrever, outro mundo é ser - poema."


domingo, 23 de novembro de 2014

Do que tenho - Sergio Martins



Se eu tivesse mais dinheiro daria mais coisas como presentes, por enquanto, apenas ofereço tudo o que posso: meus passados contos e meus poemas futuristas. 







segunda-feira, 31 de março de 2014

Leme - Sergio Martins





Vivo acabado
- na liberdade, qual fuga de amante soldado.
Morro inacabado
- pela intenção de velejar no que me é de agrado.
Sempre às vésperas de mais um soneto e pronto
à beleza imediata, aprontando de ponto em ponto...
O poema também não requer definição
apenas nos revela sentidos – a melhor exatidão.
Essa é a vida que tenho como ensolarada manhã.
A morte também é um reencontro feliz – meu afã.


A morte salva?

Amor, te salva:

Amor te salva!



Fotografia de Leandro Pontes: http://instagram.com/p/pHKJv9sbzX/


domingo, 13 de outubro de 2013

Domingo - Sergio Martins





Porque é domingo, jogo futebol pela manhã, nunca assisto TV, passeio de bicicleta, uso a máquina de escrever, ouço vinis, faço desenhos, o passarinho do vizinho parece desconhecer o silêncio, (há anos ela, a bela menina, me chama pra almoçar e talvez nunca desista porque de vez em quando eu atendo seu convite), os amigos também me querem por perto nesse horário, eu sinto uma necessidade enorme de passear de bicicleta, de ver se as flores já brotaram ou se as árvores passam bem... Para os beatos que vêm ao meu portão me dar boa educação religiosa, digo que sou ateu e agradeço a visita. Na infância, a contragosto, eu era levado à igreja, lembranças de domingos vazios; desperdiçados no devir religioso... O pesar de ter vivido esses dias vãos - transformados na alegria da libertação - agora me põe ao trabalho de embelezar a esquisitice dominical: ver o transitar das pessoas na feira, sentir o cheiro das frutas, encontrar gente interessante, tomar caldo de cana, comprar laranjas e mangas e de vez em quando o camarão que preparo no alho e óleo. Já disse que o domingo me remete ao trabalho, mas o sentido maior desse esforço é a certeza de seu resultado: o prazer. Domingo é isso: o prazer de reencontrar a infância e saborear das velhas e paradisíacas brincadeiras...

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Capim - Sergio Martins







"Neste Jardim Novo*, através de um espelho quebrado, vi um capim invernando num cantinho qualquer de calçada."



*Sub-bairro de Realengo/RJ - onde resido

Jardim Novo - Sergio Martins






  "O Jardim Novo* é um agosto que não passa."




* Sub-bairro de Realengo/ RJ - onde resido.




                                       

terça-feira, 2 de julho de 2013

Do meu mundo - Sergio Martins





Minha tristeza sempre rimou com leveza,                                                                            
a solidão é amiga - é de minha natureza.                                                                                 
Esta criança vê que o universo adulto é cruel,                                                                                    
por isso jamais deixou de colorir seu papel:                                                                                       
nunca se rendeu à ilusão do poder                                                                                                    
e da simplicidade vem seu maior prazer.
Meu mundo nunca será um campo de concentração,
minha vida no Jardim Novo (bairro onde moro) é um parque de diversão,
pois eu não vim pra competir, pra vencer;
estou aqui pelo prazer. Minha arte é viver.

Do que me prende o olhar- Sergio Martins





"O que me alicia os olhos na pobreza é a suposta miséria da qual minha alma se prende para encontrar sua liberdade. A feiura, a escassez e a dor são partes inseparáveis de mim - e é isso que eu não sei negar. Cada dia que passa, aceito mais e mais essa dependência de tudo o que é desprezível pelo conceito capitalista, burguês e moralista. Na verdade, creio que o fato de eu ser aficcionado pela insignificância é uma forma inconsciente de me aceitar desnudo frente ao espelho, de encontrar significados, de me ver nas ruínas a fim de reconstruir alguma coisa de útil."

Sobre boas e más companhias ou o porquê de eu amar tanto meus amigos - Sergio Martins





No caminho em que ando equilibrando-me entre penhascos e vales pantanosos, nunca fui boa influência para os politicamente corretos. Jamais nutri a capacidade para o fracasso dos sem opinião, dos caras-de-pau que não se decidem, não se assumem e que dizem "vou bem, obrigado!", dos que veem o "circo pegar fogo" e não estão "nem aí" por estarem ligados na novela do horário nobre, por já terem garantido o pão sobre à mesa, dos melancólicos que existem dentro de uma prisão moral-social-psicológica e vivem sob uma máscara... Apesar de a razão não ser dona do meu destino, não vejo ela, a razão, na ideologia do sucesso que vende o sonho americano, na ditadura da felicidade ou no triunfalismo fútil e capitalista do mercado religioso. Na adolescência, aprendi a ter opinião própria, formar opinião, não ser Maria-vai-com-as-outras... Daí, sempre ouvia: não ande com Serginho, ele é um mau elemento... Elas é que tinham a tal da razão; mães sempre querem o melhor para seus filhos... E isso me foi de grande utilidade, pois aprendi a não cultivar amizades utilitárias. Foi melhor assim: ser exagerado e viver com sentido. É isso, o bom jogador sabe a hora de parar de jogar; o bom da vida não é o prazer pelo vício, mas o vício pelo prazer. E tão logo fiz 33 anos... Sem desejar cometer alguma gafe, perdoe-me a infeliz comparação, mas minha idade nos remete à fictícia “idade de Cristo”. E Ele, como todo diferencial, nunca foi ou é boa companhia para quem quis ou quer viver na utópica segurança existencial e na corrida maluca pelo Ter sem jamais desfrutar dos gozos do Ser-si-mesmo. 

Citações do texto "Intimidade" - Sergio Martins






" Nunca servi para servir os deuses. Sou feliz, rebelde e insano demais pra isso; a bajulação pelos deuses sempre me causaram dores de cabeça..."

"Gosto de fazer o bem. Não por compulsão, não para "inglês ver", não para com os deuses barganhar."

"Brigo com o mundo mas não engulo o amargo. Sou moleque, irresponsável e do bem - os amigos sabem bem disso, porque para me conquistar, basta um sorriso, um olhar arrebatador..."

"Ser livre (dentro de mim mesmo) é mais importante que mostrar minhas asas."

"Não sei fazer o mal. Quando o faço é por distração, pelo calor da paixão, do senso de justiça... Isso é natural dos felizes, bobos, poetas, amantes... Quando não sei fazer, simplesmente me retiro. Sou de abandonar, de sumir, de seguir meu caminho, de me orientar e nunca mais voltar..."

"Não tenho tempo ou paciência para inveja, culpa, mágoas, ódio... Não gosto de carregar peso além do necessário. Sou sacana, sarcástico e compreensivo demais pra essas coisas."

"Só sei fazer à minha maneira... Sem coração não consigo andar. Respeito as andorinhas, mas sou Sabiá - canto solitário na chuva..."

"Odeio repetições sem significado, fazer por fazer, tudo o que é muito igual, uniformes, fardas, modismos e futilidades. Até a alegria se torna insossa mediante a repetição. Não costumo repetir demasiadamente a mesma alegria, já pulo pra outra rapidamente, tenho a constante necessidade da busca pelo novo, de captar e criar algo que me roube o fôlego."


"Tenho um caso de amor com a beleza (poética). Por isso, todos os dias,  consigo apaixonar-me muitas vezes pela mesma beleza."


À beleza cotidiana - Sergio Martins







"Mediante a esta pobreza que me é senhora, não pude ir ao profundo bosque dos pensamentos, então, nesta superficialidade existencial construí meu lar. E de tudo o que vi no caminho, acreditei ser meu divino além-mar; de tal modo, que da simples e repetitiva beleza inventei meu cotidiano."


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