sábado, 26 de dezembro de 2015

Dos prazeres - da infância - Sergio Martins




Na infância eu jogava bola de gude com minha galera no quintal da igrejinha. Às dezoito horas tinia o sino, e nós, desajuizados e esquecidos do tempo-espaço, sequer notávamos o momento de ir embora. Avessos à lógica do mundo cristão, ao cair da tarde estávamos no ápice da farra. Mas aquela também era a hora de o sacristão vir dar o “rapa” em nossas bolinhas de gude. Ali aprendi algumas dialéticas da religião:
 • Objetos de prazer (nossos sagrados brinquedos) são sinônimos de pecado.
• O lugar do exercício da comunhão (a igreja) não é propício às carências e deleites infantis.
• O que é sacro (nesse caso, o sacristão) é chato.
• A religião é a tentativa (fracassada) de dar sentido à vida (pois está longe da jurisdição do prazer).
Durante algum tempo segui a educação religiosa de minha mãe, mas o devir religioso tornou-se angustiante; entrar na igreja, para este amante do prazer, sempre foi como “passar um camelo por um fio de agulha”.
Ouvindo os conselhos do sacristão, tentei ser “bom moço” e passei a frequentar a igreja. Na igreja, não quis saber dos adultos e seus emocionais turbulentos; envolvi-me com as crianças. O sacristão já me via com bons olhos e tratava-me bem, sorria até, vez outra, como quem ri satisfeito do lamento triste de um pássaro na gaiola. Mas só o fato de estar na igreja, isto é, de pertencer à tal entidade, punha-me como as funestas velas do altar, destinadas à morte vã e insensata; velas misturadas às flores mortas do altar - frente aos adultos com suas aparências sérias, pessoas respeitadas e inquestionáveis como aqueles altares sombrios que vigiavam os corpos em seus velórios...
Mas meu envolvimento com as crianças da igreja descatequizou-me: passei a ser um anjo rebelde ensinando pensamentos libertários para elas, e por ser uma ameaça à ordem e ao progresso eclesiástico, deveria ser excluído da comunhão, pois ali; no lugar sério e divino a poesia livre e feliz não pode ter asas para voar...
Conta-se, no mito poético cristão que, enjoado da companhia chata dos que desaprenderam as delícias do prazer, Deus veio ao reino dos mortais no intuito de encontrar a melhor forma de apresentar-se aos humanos, e assim, ao encarnar-se numa criança, Ele afirmou que ninguém poderia entrar no reino dos céus caso não se tornasse uma criança. Acredito nisso. Julgo-me um homem de fé. Hoje mesmo senti-me em comunhão com Ele ao jogar bola de gude... Estou no paraíso sempre que volto aos prazeres - da infância... 



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Casamento de domingo - Sergio Martins

             



Era sábado. Mas eu sentia o domingo.
O casamento, primoroso e fino: festança cinematográfica. Reencontrei os colegas ricos da Zona Sul; todos chiques e sorridentes para os Flashes. Celulares e câmeras furtavam atenção e afetos daqueles que em desejo obrigatório, proibiam o erguer de suas cabeças, os olhos nos olhos... Não seria apenas pela certeza de que minha imagem estaria fora do álbum de fotografia, talvez significasse o efeito das sensações obscuras do domingo fazendo-me permanecer sentado no último banco da igreja igual monumento estático e imperceptível; quem passasse por mim jamais me notaria e nem mesmo a música do piano estendeu-se a mim e tocou-me os sentidos...
O caramanchão de rosas e orquídeas não me convidou para o passeio, as flores azuis dos açafrões tinham olhos distraídos, portanto, não acharam meus olhares, das Catleias brilhantes, as quais, suspensas e enfileiradas por todo o espaço, não senti o perfume, apenas aflição; pena. Os champanhes nobres e ouro funesto da arquitetura barroca desfaziam-se aos amores em fuga, às alianças que vão e voltam pela contemporânea rapidez dos sentimentos - práticos. Tudo foi acelerado e mecânico quanto mandava o figurino: o altar luxuoso, a cerimônia íntegra, os padrinhos e as madrinhas alardeando joias e roupas, as poses para as Selfies, os afetos automáticos...             
Incontestavelmente, tudo era de “primeira”; mas em tudo manifestavam-se impressões do primeiro dia da semana – através da cúpula espelhada de cores fúnebres da igreja, algo insistia em deslocar-me os olhos para um ipê amarelo e para as Damas da Noite enfileiradas ao longo da rua cheirosa, floral e silente  - como se o anoitecer nublado fosse um belo corpo velado por mim antes do seu enterro na segunda-feira.
Já que estava à porta da igreja, fui eu o primeiro a sair.
Ao término da cerimônia, na saída da igreja, sob a ansiedade da iminente festa, a fila de convivas descia a escada numa harmonia desengonçada e veloz idêntica às modernas, doentes, fúteis e utilitárias relações “amorosas”.
A caminho do salão, um amigo rico apegou-se a mim desesperado para conversar.  E pareceu-me tão vazio falando o quanto se agarrava, em sua fobia por solidão, ao antigo e patológico relacionamento após o término dos seus ligeiros e exagerados romances; via-se tão miserável ao possuir apenas os namoricos para resfolegar sua pouca vida. Seu drama, absurdamente, coincidia com os hábitos dos noivos; um casamento nascido em aborto. Ele perguntava sobre meu casamento, mas naquele momento eu precisei ir ao banheiro com a promessa de retornar sem demora; todavia, perdi-me do caminho de volta. O amigo jamais saberia a respeito do meu estranhamento - o domingo - isto é, o sábado. Eu contava as horas, ao passo que elas me contavam melancolias de outros domingos: casamento é um perder para ganhar - o intermitente estar aos estranhos domínios dominicais...
Já que estava à porta do salão, fui eu o primeiro a entrar.
Ignorando as mesas que me ignoravam com o nome de cada família em destaque, de pé, isolado e encostado numa coluna enfeitada de Lírios e Copos de Leite, em minha distração, sequer observei que havia me tornado um ornamento démodé e que até o meu cabelo afro de formato microfônico destoada das luzes e cores; à semelhança de um quadro velho, abandonado pela pintura repetitiva e moderna.
Na pista de dança, em meio à euforia, observei um par cujos corpos se apertavam e brincavam; mas o casal, com olhares enviesados e secretos, degustava outros casais...
Da imensa porta de madeira nobre, o vento frio e do salão, a frieza; estendendo-se acima do espaçoso tapete vermelho. O vento fresco saía pelos janelões; e eu também. Reclinei-me a um janelão e pela fresta de uma nuvem, observei, em pasmo encanto, estrelas dançantes ao jogo de luzes da auréola lunar. Ao longe, um sabiá acima do poste entoava seu canto solitário. A noite falava sobre términos de festas, dos vestidos de noivas, dos noivos... e de tudo que não me recordava. O mundo estava no sábado, mas tratava-se de acúmulos de domingos monologando árvores e histórias noturnas... Agora, a chuva alongada molhava minhas mãos e senti o perfume da terra.
Saí da festa ensaiando cumprimentos, mas ninguém notou... Caminhei vagaroso molhando meus sapatos nas poças e as luzes amarelas dos postes me esclareciam que aquela chuva demorada e fraca escorria as lágrimas da noite...
As alianças, a entrada dos pais e dos padrinhos, o formato ou o sabor do bolo, os detalhes do banquete, as promessas e os discursos antes do beijo, o buquê arremessado... não me recordava de absolutamente nada. Se ao menos meu celular possuísse câmera... Em meio aos casarões, uma casinha abandonada surpreendeu-me num alento de morte delicada acalmando-me da turbulência das pessoas e do mundo. Apoiei os braços sobre o muro lodeiro do casebre e da calçada, vi meu rosto no espelho de uma poça d’agua, veio-me à memória o tempo em que as horas não corriam dos namoros intensos e verdadeiros, das novelas antigas, das histórias das bodas de ouro da vovó... Na rua, os cheiros e cores de outros tempos volitavam. Aqui, eles me davam a alegria da companhia. Na infância, eu gostava de ir a casamentos. Naquela época, os domingos eram dias longos e festivos; aquela fase evaporou-se na ebulição desse tempo impaciente para com o essencial.  
O chuvisco tocava-me suavemente, os gotejos sossegados de novembro me acariciavam feito um alento de dias intrauterinos; e contemplativo do mundo, sorri para o espelho o sarcasmo esquizofrênico da sinfonia noturna.
Caminhei lentamente para aproveitar bem a chuva que brincava com meu cabelo e minha roupa.
Já não era sábado. E eu podia sentir melhor o domingo...

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Mariana da Síria à Paris - Sergio Martins





1
Na Síria Nasci (Ria!) Minha Mãe Feliz. 2 Meus pais Meu país (Sorria!) Também são Paris. 3 Sou de todos, Soul-Vale mata-rio-doce (Também sou) Mariana Em avesso assim me quis.
4 Nesse Face sem face, Eu-Fake, no Case, The Nobreak é esse Tease: De Paris muita cor se abriu, Da Síria, pouca bandeira surgiu De Mariana, o rio é um fuzil Sugando do Brasil mais um Abril; mudando minha foto do “perfil”.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Lia - Sergio Martins







Lia acha banal toda tecnologia que distancia pessoas de (suas) almas. Tem prazer em tomar banho de chuva, ajudar moradores de rua, atender demandas de gentes de comunidades (aliás, adora estar em comunidades) e cuidar de animais abandonados. Recorre à medicina alternativa, comida natural (não come em estabelecimentos cujo preço é alto e os alimentos de procedência duvidosa) e sustentabilidade: o óleo que sobra da cozinha faz sabão, recicla móveis, ferro e plástico, reaproveita a água da chuva, da máquina de lavar... 
A menina veste-se muito bem, de modo que é a mais elegante da rua; mas só usa roupa de grife se por acaso achar alguma no meio das peças que escolhe no brechó. Gosta de economia solidária, feira de trocas, escambo, critica consumismo e materialismo absurdos; todavia, não economiza recebimentos e oferecimentos de sorrisos e carinhos... Sente-se feliz com seu corpo e goza de toda liberdade e todo prazer que dele flui. Em seu corpo, são felizes os que ela escolhe - para nele habitar.
A socialista ama sociologia e todo o bom de "humanas", serviços e ciências sociais para os menos favorecidos, políticas públicas, sustentabilidade, detesta Shopping, ama viagens... Tem seu próprio e confortável lar na natureza, nos seus vinis, livros, filmes, em suas pinturas, músicas... Pedala a bicicleta, prefere a vista para o mar e a caminhada na roça em vez do carro, quer ar puro de montanha, nenhuma multidão ou religião, menos maquiagem e nenhum cosmético ou produto que agride a natureza e os animais. Poucos Likes, nenhuma Make ou Fake, mas muitos compartilhamentos de alegrias e prazeres do corpo e da alma. Aprecia o desmaio da tarde com suas cores metafóricas, os luaus de céu metamórfico, o namoro no banco da pracinha e nunca aceitou bom salário que lhe furtasse a cabeleira afro, o tempo com os amigos e com seus amores loucos. Ela deseja o chinelo ou pés no chão, e só usa salto alto no carnaval...Lia preferiu morar no "fim de mundo" onde quebrou o cimento do quintal para que a terra respirasse e produzisse vida: o jardim para alimentar os olhos, os vegetais e legumes para comer... No "fim do mundo" suas solidão e saudade são prazerosas e não significavam vazios ou ausências...O mundo de Lia é a possível e, talvez, única filosofia para o surgimento do novo mundo e da salvação do mundo velho: amor à sabedoria - renascimento e iluminismo de alheios e obscuros universos.

Melhores papéis - Sergio Martins




Noutro dia, um adolescente negro protestava, queriam que o neguinho não se sentisse vítima, que a revolta e a miséria não gerassem a violência... 
Os "caras pálidas" há séculos violentam o mundo, mas quando os negros começam a assustar uma sociedade cuja maioria é negra, dizem que há brancos, amarelos e vermelhos que mesmo vivendo na miséria são inofensivos e dizem que o meu discurso é de um segmento político que justifica corrupções e outros males sociais. 
Numa esquina, uma mulher negra segurava um cartaz que dizia:
“abaixo o PIB, acima o Pig (Partido da Imprensa Golpista)”.
Há pouco tempo, os negros daqui só entravam na universidade para a faxina, juízes e advogados também eram brancos, o atendente branco foi sarcástico quando mostrou para o pedreiro os produtos mais baratos, um vendedor branco que estava muito impaciente, disse para a doméstica negra que ela poderia parcelar no cartão...
Um amigo negro recebeu várias armas e muita droga quando tinha apenas uma pá e uma enxada mas ele, vestindo a camisa vermelha do “Che”, disse:
“foice e martelo contra todo esse fascismo verde e amarelo”.
Esse amigo negro que é tão negro quanto eu, sempre me dizia: armas e drogas entram aqui através dos brancos e nas favelas, os que patrocinam a carnificina são os “caras pálidas”. O amigo disse que lhe deram barulho para ouvir no baile, TV e muitas distrações; mas ele preferiu ouvir música, ler livros, respirar arte e assumir seus melhores papéis.
Outro dia, um adolescente negro cantava: “Você ri da minha roupa, você ri do meu cabelo ...” e muito sacana, parafraseava o Caetano: “Não me olhe como se a polícia andasse atrás de mim...”

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Colibris - Sergio Martins




Ao doce das flores se entrelaçam beijo de colibris:

voo sincronizado de nossa alma; amores vis-à-vis.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Meu (re) partido - Sergio Martins






No trem, vendedores ambulante aos borbotões, 
contudo, em nenhuma estação sequer um artista de rua.
Pela Cidade, vi “Pedaços de Fome” espalhados pelo chão
porém, não achei livro algum da Carolina de Jesus.
Um carro da polícia na entrada da aldeia Maracanã.
Num muro próximo à UERJ li:
futebol não se aprende na escola,
por isso o Brasil é bom de bola
e numa parede lia-se: a TV engana você.
A adolescente que pedia esmola tinha muitos filhos subnutridos.
Eu até mesmo estudei o “Guia politicamente incorreto”
no entanto, tu me disseste com ironia: “Porque virei à direita”.
Daí eu vi a necessidade de rimar:
o menino negro assaltado e esfaqueado não era de “esquerda”
mas vamos tomar mais “uma” e assistir outra notícia:
“o PM sepultado não era de direita nem da milícia”
e o noticiário não falou do nordestino, do índio, de minha perda...
O P.I.B. vai crescer e empregos gerar
vendendo mais do que a terra pode dar,
o presidiário nunca conseguirá votar,
presídios particulares já vão chegar
assim que a maioridade penal se concretizar,
funerárias e indústrias farmacêuticas vão superfaturar,
a hidrelétrica que matou povos ribeirinhos
vai gerar energia para os países vizinhos.
O moço nunca leu um livro, entendeu seu mundo, seu movimento.
A moça é que sabe tudo sobre a novela e a “onda do momento”.
A meritocracia ignora a incapacidade, a realidade dos cofres;
os herdeiros do furto milenar dos escravos que morrem pobres.
O Brasil vai fazer outro golaço na hora de votar!
vamos assistir a telinha para darmos risadas,
vamos fazer tudo o que o mestre mandar:
churrasco, bailão, muito imposto e muitas latas
de cerveja para não lembrar de toda carnificina
e de que não havia negro no curso de medicina;
vá rir e bater palmas para quem bate em você,
você crê em tudo que vê,
a TV emburrece você,
você paga para ver mesmo não entendendo o porquê.
Eu, passional e sanguíneo, vermelho dos açoites à luz do dia,
não sou de esquerda, sou da África e por isso não vou à direita,
porque todo injustiçado deve içar sua própria bandeira;
atravessar a fronteira. Meu norte é à frente e acima: poesia.

sábado, 1 de agosto de 2015

Sem medo - Sergio Martins






Abaixo de tudo, o desamor que nos faz
odiosamente infeliz      
nos aprisiona no medo de morrer.


Acima de tudo, o amor que nos faz
imensamente feliz
nos liberta do medo de viver.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Faca e queijo - Sergio Martins




Você pode ter a faca e o queijo na mão,

mas sem amor não há jeito ou significação:

felicidade resistente como bolha de sabão,

comida sem fome; muita sorte sem emoção.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Lúcia - Sergio Martins





Lúcia, menina mimada e pirracenta, brincava de ser Deus: tinha o controle, o poder sobre pessoas. Não suportava perder ninguém de suas rédeas. Nunca amou. Deliciava-se na pretensão de adquirir a liberdade do suposto ser amado.                                 
Lúcia abria mão de um homem quando este, por ela se apaixonava; contudo, jamais concedia alforria. Ela, bruxa sádica e perspicaz, trazia consigo a alma de muitos homens presas aos seus caprichos egoístas.
Sentia-se viva e forte acreditando estar acima dos outros, no topo da cadeia, ser venerada e disputada, mas suas tramas lhe puseram num emaranhado de intrigas; por isso, como fuga do tédio e horror, Lúcia tentou ressuscitar seu espírito romântico, seu ideal de felicidade a dois enterrado num passado bom e distante. Todavia, tal feitiçaria se voltaria contra ela em proporções inimagináveis.  
Ela que sempre adorou jogar com as pessoas e com os sentimentos, de pouco em pouco, recebia as contra jogadas das pessoas que já conheciam suas velhas táticas, as quais, saturadas, viravam o jogo de Lúcia.
A jogadora passou a ver-se vítima de tudo e todos; culpando o mundo por suas sandices infantis e invejas.
O enredo que fez de sua vida, fazia agora uma rima trágica:
O tempo virou.
O mundo farto de tédio pesou,
deu muitas voltas e lhe desabou.
O universo que ela mesma criou
perdeu a cor e a destraçou.
Seu corpo definhou .
Seu maior débito de amor não vingou.
A luz se apagou.
A Lúcia pagou.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Xadrez- Sergio Martins




Cartas jogadas na manga, na mesa...
A antiga opinião.
Marcas de estradas, cansaço e “na mesma...”
Nem um pouco de atenção...
Você pode até não acreditar,
mas há mundos no fundo do mar
 e que noutro mundo, o sol
é um paiol que cria um infinito sol.
Vá pro cine, para o rádio e à TV,
só que nada é o que parece ser.

Li num cartaz sobre o xadrez:
“no fim do jogo o rei e o peão

vão para a mesma caixa”.

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