O meu "eu pessoal"

Não sei de onde vim, para onde vou, quem sou, quem fui ou quem serei. Isto deveria ser uma abissal crise de identidade, mas absurdamente, para mim não é. Não tenho mais a presunção das respostas prontas, não me julgo certo ou errado, pois ter essa ciência de nada é proveitoso para se viver bem, tento apenas me situar, me compor e me recompor nesse planeta onde me sinto estrangeiro e não raro, feliz...

Sigo tentando andar mais e mais, buscando achar nesta terra o meu lar, desejando encontrar e me encontrar, e acima de tudo, descansar, atraindo a feiúra e o ínfimo para criar, para dar e receber algum sentido que se resuma em prazer; porque acredito que para isso fomos criados: para dar e receber prazer.

Não sou político. Minha lei é a justiça e a misericórdia. Não tenho religião. Tenho fé e amor. É que, por ser irrequieto na busca pelo auto-conhecimento e pelo prazer, ainda na adolescência, ambas ciências deixaram de satisfazer minha alma.

Não sou capitalista; isto é, sou contra a cultura material da felicidade e há muito, desisti de vencer, abri mão das  vaidades de menino, dos medos, vergonhas, fugas e culpas fúteis, simplesmente, para ser feliz.

Sou amante da beleza e tenho um fervoroso caso de amor com a vida.

Encaro a tristeza e a solidão como amigas, abraço o desprezível como fossem meus espelhos onde me enxergo em agonia para regozijar-me em paz. A poesia me navega. Viajo seguindo a poética e após tantas caminhadas em incansável trabalho pela arte de amar e de ser amado contemplo esta poluição existencial e degusto de todo o belo que ainda perdura e deste modo, vivo leve e abusivamente, pondo nesse estranho ar alguma vivacidade pela qual eu possa concluir que ainda vale a pena...


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