quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Soneto ao Ipê amarelo - Sergio Martins







Declinou-se pela colina a névoa fúnebre encortinando o cemitério
(gelo seco mascarando a Nogueira ao calafrio das trepadeiras
onde banhei os dedos ansiando ser amado). E de várias maneiras
sofri a solidão: desfalecimento de fumaça densa, beleza e mistério.

Aquela escuridão enganosa se estilhaçou à clareira lunar
e em parto feliz, concebi minha máxima filosófica:
viver é a melhor recompensa, o resto é angústia histórica
mergulhada neste brio exultante ao dourado estelar.

Até a margem da álgida praia fez-se macia aos pés andarilhos
e endurecidos pelos pedregais escoados da ribanceira agreste;
é que nestas areias cintilam os corações em seus devidos trilhos.

Deitado na grande rodela de ouro abaixo do áureo Ipê amarelo,
a sombra afável de suas copas me espiritualizou enquanto eu
ouvia o meu amor – marulhos flutuantes e dóceis de violoncelo!



4 comentários:

Severa Cabral(escritora) disse...

Querido amigo !!!!
Lendo seu soneto viajei ao plantio de ipê e senti o amarelo nos convidando para florir junto com ele...lindo seu soneto...
bjssssssssssss

Severa Cabral(escritora) disse...

S*I*L*E*N*C*I*O ! ! !

Vim deixar beijos de dia de domingo,rsrsrsrs,e tbm para todos os dias da semana...
saudadessssssssss

Renato Hemesath disse...

"Corações em seus devidos trilhos": exatamente. . . e há de quem tentar, por alguma razão, incutir trihos outros que não aqueles que de alguma maneira trazem a sensação de trazer sentido aos sentidos.
Não obterá êxito.

Lindo escrito.
Abraços, e uma linda semana a ti.

Nel Santos disse...

Sim! Viver é a melhor recompensa!

Adorável com as palavras, como sempre.

Beijo,

Nel

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