domingo, 13 de outubro de 2013

Plano - Sergio Martins



Toda vez que o Smartphone toca: “I miss you” você responde: “I miss you to”.
Seu olhar ainda toca os dedos de Jack enquanto ele lhe ensina os truques de computador e quando ele ouve o Johnny Cash é porque seus últimos dias parecem uma voz sepulcral, um timbre de lágrima seca; mas após beber toda a taça de seu vinho de abacaxi, sempre vem uma noite de prosar em alegrias...
Um dia você disse sobre indecisões e confusões e alguém te perguntou: você tem um plano? Então, Jack se calou pensando: “planos, linha retas, bom-senso, perfeição... toda essa estrada muito certinha deve ser tão chata e cansativa...! Meu bem, há tempos desejamos e hoje brincamos nesse gira-gira parecido com o mundo em seus movimentos luzentes e coloridos que não se encaixa a tais planos inflexíveis... Já são meses sem tomar antidepressivos, por isso, vamos dormir tarde, isto é, acordar bem cedo para o que sonhamos...”

Você não sabe desligar esse aparelho, nem recorrer à eutanásia e Jack só tem um guarda-chuva bem grande para esses dias... É, você diz que vai mal e não tem um plano... Mas Jack parece sentir que o amor tímido de sua menina permanece forte e crescente diante do temor que a iminente morte nela provoca - como quem não se sente falecida e por isso não pode receber o buquê de flores que enviaram para o seu imerecido e precoce funeral.

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