sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Teu amor - Sergio Martins


A fome nos apressa e nos põe a fazer coisas pelas quais nos desconhecemos...

O domingo fica mais estranho com o passar dos anos e sempre nos lembra do momento da porta fechada com violência e assim ficamos com a sós com os ecos dessa batida furiosa... 

A fuga do desejo outrora alcançado e todo o ideal de felicidade que nos afugentou e que agora apenas é filme antigo, sobretudo, nos informa que também somos culpados: espectros que tocam e nunca são tocados, veem mesmo não sendo notados...
Cúmplice do caos, te convido ao meu último e melhor vinho que bebo todos os dias, pois tua companhia prazerosa não me rouba a solidão amiga. Nesta nebulosa e fria noite comeremos da arte que nos consome o corpo e a alma, de maneira que acharemos graça em nossos rostos melancólicos e risos entreabertos e foscos. Às tenebrosas melodias do piano, me aquecerei em teu colo noturno, pálido e letal em que abraço a morte ofertada em seus carinhos. Antes de deitar-me em nossa cama onde sou possuído pela ternura da morte a cada noite, farei meu túmulo para dormir em paz, sentirei o prazer de teu amor que, em desespero, anseio tê-lo sempre; pois só ele, o teu amor, não apaga a luz de minha bela e devotada amiga tristeza.


2 comentários:

Severa Cabral(escritora) disse...

Bom dia meu amigo !!!!!
Por favor,não deixas passar tanto tempo sem escrever ...
Saudades de teus escritos...amo está por aqui me deliciando de tudo que escreves ...te acho fenomenal...essa prosa está com sabor de uma grande emoção...por se falar de amor ...
bjssssssssssssssssss

Nel Santos disse...

Ah, Sergio, isso é um pouco louco, mas é... "Tão bom morrer de amor e continuar vivendo"[Mário Quintana]

Beijo,

Nel

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