segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Em meus lares (a favor da tribo Kaiowá por seu território ancestral) Sergio Martins




Ao tempo em que não caíamos na segunda divisão,
o fútil olhar morria de amor com toda sua alienação,
estavam em alta o reality show e a moda primavera-verão,
por conta de mais um namoro gris, aqui vivia-se a depressão
e lá, Sol e Tupã tristes, fracos e em apuros na dilaceração
de um sul que é a cara de Brasil ou parece um outr
o que não viu
ou não quer ver este que segue inerte na ponte que se partiu...

No instante em que eu não conferia o troco,
gastava sem razão, fazia questão de pouco,
enquanto você dormia e eu só fazia
meu papel de escrever mais rebeldia,
havia morte à Gaia em nome de Deus, pó sobre pó
em todo meu solo Guarani, Taquara, em Caarapó...
Onde a Senhora estava que não soube da Aty Guassu em Yvy Katu,
Ñande Rú Marangatú, Sombrerito, Guyraroká, Potrero Guassu...?
Talvez o Senhor, no frio de ar condicionado assistisse televisão
com a bela propaganda de felicidade maior que a da desolação...
E eu, onde me escondia, me encontrava ou me perdia?
Vou dizer com um tanto de vergonha, nem sei se deveria...
Eu fazia Mbaraka e Takua contra a maldição de homens pálidos
em meus lares Kaiowá, Pyelito Kue, Tekoha Ñu e Porã – Dourados.

2 comentários:

Luís Coelho disse...

O crescimento do Brasil e o interesse de alguns faz esquecer estes nativos e a sua área de protecção.

Por mais que se grite os governantes continuam cegos e surdos.

Os donos do mundo perderam a sensibilidade, o respeito e o humanismo...

Flor de Lótus disse...

Incrível como a ambição humana não tem tamanho somos capazes de qualquer coisa por dinheiro, já dizimamos milhões de índios ao longo da história e agora ainda mias isso.
Lamentável, é triste saber que um povo cheio de cultura e sabedoria está prestes a ser extinto.
Beijosss

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visualizadas