segunda-feira, 13 de maio de 2013

Sobre o tal do Capeta - Sergio Martins






   É sensacional o quanto os contrastes se tornam pontes que equilibram nossas emoções e contribuem para o bem estar do todo. Lembro-me de dona Maria, uma vizinha que ao estar aflita com as peraltices de seu marido e filho, punha-se ao serviço doméstico com mais dedicação. Não raro, desarrumava, caçava o que fazer para deixar a casa de acordo com seu perfeccionismo. O fazer de Maria era um modo de expurgar os “demônios” que afligiam sua alma. 
    Sempre que tais “espíritos ruins” tentam se instalar por aqui eu já sei o que devo fazer. É quando incorporo a dona Maria, a casa fica bem arrumada, minha mãe agradece, tenho a sensação de dever cumprido e de aumento de espaço; de que a estética exterior se comunica com o suposto perfeccionismo que quero ou preciso...                                                    É quando os “demônios” se vão e a casa volta a ficar desarrumada, feia, empoeirada... Com a chegada do “coisa ruim”, a ordem e o progresso estão garantidos: tomamos conhecimento do quanto o que é "mal" pode ser útil em nossas emoções, nossos relacionamentos, comportamentos... E não seria essa a grande trama político-religiosa: fazer do “Satanás” o serviçal dos deuses, da ambição humana pelo capital e pelo poder de controlar massas?

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