terça-feira, 3 de maio de 2011

Estrela da Tarde (10 dias que fiquei internado no hospital) - por Sergio Martins



Óh, frágil luz de rosto jovem,
tão cansado é o íntimo que te ilumina!
Óh ágil vidraça do firmamento de ontem,
quão permanente é a beleza desta velha menina!

E o velejar de tempo é nuvem passageira,
o furor e os anseios de "porquês" são poeira,
tristeza mesmo é o olhar que se colore mas não vê
que a (fugidia) alegria crepuscular vem de você.

E o silêncio é rio que não acalma
quando vem refletir a dor da alma.

Deslizando nesse céu de verão, não há do que se lastimar,
pois a magia da Estrela da Tarde foi feita só pra nos musicar.

Imagem: Google

3 comentários:

NELL SANTOS disse...

E que palco já não foi e ainda continua sendo o Crepúsculo para os poetas, músicos, namorados, enfim, para o desenrolar da vida, bem debaixo da magia da Estrela da Tarde... Huum... viajei! Lindo!!!

Grande abraço pra ti!!!!

Helena de Campos disse...

Me fez refletir em quantos ocasos minha alma penou à espera de respostas que se tornaram poeira, pois aguardar a solução só nos adia as delícias de novas descobertas que se irradiam ao nascer de um novo dia...

Dica Cardoso disse...

Eis aqui Vênus, a estrela D’Alva ou Vésper que tem como cenário o manto celestial do ocaso ou alvorada, quando atinge seu brilho Maximo. Sendo após a lua o objeto mais iluminado do céu noturno,sendo esse mesmo céu, o noturno, inspiração a tantas composições musicais de caráter melancólico, evocativa da noite ou inspirada por ela, o que confirma e reafirma sua ultima afirmação: “Feita só para nos musicar”. Penso se Chopin, dentre suas 19 peças,não tenha extraído alguma delas da mesma fonte que o inspirou esse poema, onde a sutileza e delicadeza de uma figura de luz pôde ter a sua essência captada por sua tão aguçada percepção, tendo sido metáfora ou não.

*O céu é extremamente belo, sua infinitude me condena a contemplá-lo e a desejá-lo como terras que à pisar. Sofro mais a cada angustiante seqüestro celeste que vivo e por sua falta deliro... Olho as luzes no monitor e tenho um vislumbre sideral, ganho novas estrelas em meu delírio celestial: Uma chama-se saturação e é de um verde intenso e brilhante, e o ponto vermelho no monitor ou eletrocardiograma é pôr-do-sol que faz lembrar vida nascendo feito manhã irrompendo, dele só desejo o belo, o seu ressoar que são gaivotas a clamar que jamais anoiteça... - Amanheça, não se ponha... Silenciosamente o pedia, que prontamente obedecia me dando números melhores... Mas um dia ele se pôs, anoiteceu em mim, que do alto via a mim mesma, porém buscava o ponto, a luz, o meu sol abandonara-me? E de longe avistei a estrela de metal, uma D’Alva sem igual... A minha sírius... Pediu meu coração como morada, julgando-o lugar seguro, não imaginando quão inventivo e irreverentemente mutante de paisagens ele era. A inquietude o pertence, ainda assim, traiçoeiramente eu a abriguei, em troca da promessa de que assim sendo eu voltaria a contemplar mais inúmeras vezes o verdadeiro manto celeste que abraça a Terra que finalmente, em breve, mais uma vez a um contemplaria e ao outro pisaria! Prometi: Sentirei minha estrela por onde for. Não é dificil cumprir tal promessa, afinal,em mim ela não apenas brilha... Movimenta-se vitalmente!

PS:(Trecho de texto escrito em mais um dos internamentos, nesse estive por 13 dias numa U.S.I, após U.T.I, onde em todo momento a luz solar e a visão do céu me foi privada, afinal, por ser unidade intensiva e semi-intensiva, não havia janelas e nem se quer frestas,ainda assim o céu estava lá. Ainda não publicado, até o momento)

Dica Cardoso

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