quinta-feira, 28 de abril de 2011

Quando tudo se perde, sempre nos encontramos por Sergio Martins


Quando ele pegou o molho de chaves das mãos da moça, ela já tinha ciência de qual porta ele abriria e ele, na hora do café, sabia sempre que ela apresentaria alguma novidade. Ele gostava de suas trufas, de sua arrumação imposta à sua bagunça, do cuidado e de tamanha gentileza da moça. Já não se importando mais com seus impulsos agressivos, ela esperava o momento das canções ao telefone, das caretas ao longo do dia, das esquisitices, dos sorrisos que possivelmente ele arrancaria com suas palhaçadas sem graça.
Até que a vida, com suas permanências e provisoriedades, por fim, lançou-lhes tal veredito: ela permaneceu ilesa como rocha ao violento ataque das ondas por meio de toda sua divina sensibilidade, e ele, provisório e fugidio como areia esvoaçante de mar que não há como segurar, flutuou ao som de suas ondas poéticas deixando para a menina aquilo que ela mesma jamais saberia, mas, que também havia depositado nele: fragmentos estranhos e belos– saudade e carinho.

Foto: Google

4 comentários:

Balada da minha Alma disse...

Tem pessoas que foram feitas para ficar juntas, aconteça o que acontecer. É só deixar a vida nos levar...

Beijo.

lita duarte disse...

Tudo tem um tempo.
Não adianta tentar forçar situações.

"O bom da vida é semear boas sementes, sempre.":)

Um beijo.

Parole disse...

Não sei porque, mas tem pessoas que nos marcam profundamente.

Lindo seu texto, querido.

Bjs

NELL SANTOS disse...

É tão bom quando se é lembrado com saudade e carinho!... O que a gente é deixa marcas.

Bjs!!!

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