domingo, 24 de abril de 2011

Soneto de amor pascoal - por Sergio Martins



Em prol dos prazeres de cana, açúcar, ouro e vinho,
a Terra-mãe sofreu as tragédias gregas sem fim;
mas antes de ser das borboletas o seu jardim,
 viajara no afã deste  Alentejo em que me aninho.

Voa longe a agridoce voz lusitana, atravessa o Atlântico e me afaga:
de nossa lágrima negra - temores, o diamante dos senhores;
virá, da amarga infância, sua paixão de sexta-feira - amores:
no sábado, em seu afã pelo Brasil, não mas terei o susto de sua chegada.

A distância que nos une é a extensão de minha alma:
Guanabara em beleza triste que canta e desatina -
desejo absurdo, miragem de menino que me acalma.

Derramado à vermelhidão, o céu festivo que mendigo,
amanhecerá no olhar de mãe Maria: alegria de filho

que volta ao seu lar – minha ressurreição de domingo!

4 comentários:

Luís Coelho disse...

Um soneto feito se cheiros e sabores perdidos no tempo mas gravados a fogo na alma de cada um de nós.

Quando tudo passa sobra sempre a melhor parte que ninguém nos poderá tirar.

CAIXA DE FATOS disse...

Tenha uma páscoa feliz.

Bjs
Dadi

Balada da minha Alma disse...

O seu soneto está divino! Poderia ser acompanhado com uma música de fundo de Mariza, seria uma conjugação perfeita.

Gostei especialmente dessa parte: a distância que nos une é a extensão de minha alma.

Um beijo em você, de coração.

Parole disse...

Belas palavras, querido.É sempre bom te ler.

beijinhos

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