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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Soneto de Domingo por Sergio Martins

                                              

Assim que a luz tardia de Setembro acariciou teu rosto,
teu olhar noturno decaído pelas minhas sandices
levantou o brilho das castanhas dóceis, e os artífices
que usei para possuí-las foi o fim do mais nobre mosto.

Foi calmante e mui espiritual o frio da tarde,
a mensagem do teu rosto pueril e vivácido
que embora conflitante, roubou-me o ácido
do corpo que me insurgiu na falta de tua arte.

A clareira no olhar da menina viçosa e indiferente
ao meu afã de regar amor em sua primavera, criou
o riso às vésperas da morte desse mundo doente.

E em pranto, fugi– pela noite cruel–; de mim mesmo arredio.
Ah! quem me livrará do terror do lirismo voraz e da devoção
à beleza que se manifesta nesse domingo permanente e vazio?



Foto: Luís Miguel

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