quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Meu ser-outro por Sergio Martins



Jurei sempre desejar e regar a aridez de teu jardim e assim e muito mais, decerto eu faria, posto que, não se pode mudar a alma de um poeta.
As razões, então, seriam nuvens vagarosas atravessando os montes baixios que receberiam copiosas chuvas de regozijo, os corações veriam todas as estrelas rurais se espelhando no lago do bosque silente, lá onde só os olhos amantes têm as mais sábias palavras e, certamente, envolvida de uma enigmática áurea apalparias na água cálida a face transcendente da lua.
As emoções, sem pressa alguma, cada qual, após si, se fariam ternas, intensas, bruscas e efêmeras pairando no ar que as levantariam incessantes e perpétuas.
Mas foi por nenhuma outra razão senão a de desconheceres o desvairo da paixão, feito essa enormidade que me apanhou de súbito e de absurdo que é guiada pela incontrolável poética; que fui vencido e transformado nesse eu-transtornado.
Cada água que bebi de ti foi a melhor porção de minha terra seca, pois nela eu pus minha crescente sede.
Meu Deus, quanta indignação e indagação habitam agora meus lábios secos de Agosto!
E tão cedo, através da lucidez rígida que roubou o feitiço dos meus olhos e pela eterna dor do teu adeus, conheci a transparência dos teus sonhos, a verdade que eu temia, a beleza infinita que já não havia: tu eras meu ser-outro que eu não sabia.
E quanto a ti, eras tu mesma?

Foto: Google

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visualizadas