terça-feira, 24 de agosto de 2010

Soneto à Dama da Tarde por Sergio Martins



Pela tarde em chuvisco apreciei teu doce sabor,
sua maciez em meus nervos eletrizados,
sua canção em que meus traumatizados
sentimentos, enfim, acharam a doçura do amor.


A noite do Jardim Novo tem sono e um sonho me ergue,
viajo pelas tardes quentes de Dezembro:
esperança na alegria tardia. E assim, lembro
que o cair do dia é uma espiritualidade que me segue.


Tarde por tarde adentro nesse belo entardecer
em que sou crepúsculo - complexidade posta
no que incendeia de exultação o meu viver.


Por essa infinidade, a morte definitiva jamais será minha anfitriã,
pois, só a Dama da Tarde tenho como visita de honra nesse
além-mundo cuja estranha poética é a única certeza do amanhã.

Foto: A bela da tarde (Belle de Jour), 1967 / Um filme de Luis Buñuel/ França / Italia
Fonte: Google

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