quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Opala de fogo por Sergio Martins


A chuva severa, inquieta e talhante estalava no chão sequioso balbuciando aos meus ouvidos o tilintar das asas de um vento peralta e as canções de minha biografia intra-uterina. No frio brando daquela noite era um doce ilustre ver os cabelos alquebrados pelo fosco emocional da bela moça que ondulavam soltos ao berro de um tempo exultante e excitante.

Mas não eram meus os festivos batuques do aguaceiro, pois ela, em mim era um outro pensar... de modo que, onipotente, em todo aquele tempo perdido de meu onírico espaço, permanecera deitada no leito da terra, indiferente ao bailar do clima metamórfico e  imprevisível quanto as suas palavras que eu não pude entender. Sua face rejeitava-me como a areia escaldante no cume do verão, em seus olhos viam-se duas rochas acesas e seu coração revelava-se inacessível como uma Opala de fogo vulcânico.

Todavia, era ela - brita rolando pro meu desespero - quem eu ambicionava, aquela que em esmerilhando-me à alma inteira pelo longo caminho não consegui eternizar aos meus braços devido ao escorregadio de suas aleatórias trilhas...

Foto: Opala de Fogo
Fonte: Google

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