quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Para os que fogem do luar - Sergio Martins





Labirinto que nos afronta numa indesejada diversão, armas que falham no pior momento, poder frustrado na hora errada, honra que se esvai quando a autoconfiança é grande, desprezo com orgulho na fala sempre que a espera volta-se para a chegada das boas novas... São as únicas saídas para os que rompem com o prazer do luar.
Da vida breve e andarilha no pensar que corre sem freios para o mar bravio, há um aprisionar-se numa rastejante percepção, na trilha estreita envolvida por sombras, condenando-se a velejar nos inconseqüentes ventos onde o horizonte são os olhos da consciência trazendo a incerteza do que é feliz.
Na magia apertada em que nos fizemos súditos impotentes, ilhado, sem rumo e pelo avesso está o norte; são sonhos irrigados pelo deserto, involuntários pensamentos ao entardecer da esperança; é a inquietude pela convicção que nada se pode fazer além da espera inútil pelo favor da severa imprevisibilidade.
A manhã que um dia acendeu-se traz neblinas mal-humoradas para o vale de lágrimas permeado pelos absurdos do coração, no campo onde se admiravam flores desabrochando, plantam-se cinzas de todo tipo de promessas enganosas e sob o peso das recordações que desmoronam o castelo de fantasias, observo estrelas se transformando em holofotes a desconstruir o que é razão...
Exterminadas as suas canções, são inúteis as declamações poéticas dos saraus, a volta para casa é fantasmagórica, e sem aquelas palavras aos pés dos meus ouvidos – Jet’aime –, o tocar das brisas é fúnebre temporal ameaçando o bom juízo de minha cabeça; de sorte que, ausentes do sol, apenas somos Agosto desfolhando o colorido do mais raro sentimento...

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