terça-feira, 7 de agosto de 2012

Em pleno inverno - Sergio Martins




Em pleno inverno vi, como fosse a "Primavera Árabe", o céu azul sem nenhuma nuvem,
o mar convidativo, Plátanos, Abricós e Acácias
iluminando as vias de sofisticados carros,
crianças brincando num belo parque em meio à correria
do Centro, foliões à beira mar, danças e teatros de rua,
pomposos museus e espaços culturais,
a menina tranquila pedalando sua bicicleta,
admirada com pássaros que musicavam a via expressa...

Em pleno inverno vi propagandas de consciência ambiental,
de túneis e estradas encurtando o tempo-espaço, estádios irresistíveis, hospitais enormes e bem equipados, escolas recém construídas e a cidade bem limpa.

Em pleno inverno vi que a limpeza varria o "lixo social" dos olhos dos turistas, foi quando senti saudade das folhas de ipês colorindo o chão, da terra livre de todo esse concreto frio, dos moleques lotando às ruas para apanharem mangas, carambolas e jamelões...

Em pleno inverno vi um sabiá apático, a cidade sem voz, a esperança perdida dos que só têm um fim de semana para resfolegar o que só adia suas mortes - em vão...

Em pleno inverno vi que para construir casas, destroem-se árvores, que o "progresso" perdura, que há mais expectativas, estimativas e perspectivas se contradizendo nos jornais; mas todo esse custo é na mesma proporção:
trancas nos carros,
cadeados nas janelas,
alarmes nas casas,
câmeras em toda quadra
e o negro trabalhando muito mais,
embora ganhe menos que o imaginável.

Um comentário:

Flor de Lótus disse...

Quando eu paro pra pensar nesse caos todo dá um verdadeiro pavor,o ser humano é um animal burro e que se acha muito inteligente que destrói tudo o que tem de mais precioso na natureza em troca de dinheiro e quando tudo acabar eles farão oque com todo o dinheiro que restar?
Beijosss

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