quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O que há por Sergio Martins


Há sempre um novo pesadelo me dizendo para onde vou.
Há um cemitério onde os mortos querem ser lembrados.
Há uma esperança tal como restolho seco ao fogo intenso.
Há agouros pronunciando a materialização do que eu mais temo.
Há uma ilha esquecida e habitada por predadores.
Há uma defeituosa simulação daquilo que aprendi ser a vida.
Há um frustrado ensaio de suicídio por parte de quem apenas quer viver.
Há uma preciosidade escondida num pântano tenebroso.
Há um musgo suprimido defronte ao Rio que corta os belos bosques.
Há um tempo que oferece minutos de prazer que não cessam o cansaço.
Há uma agonia em se sacrificar por ser o que não se pode nunca.
Há a necessidade de alcançar o bem-estar que a Deus não aprouve ceder.
Há o ridículo de mendigar saúde e de sentir vítima de mim mesmo.
Há uma Pessoa que nunca me deixa só no silêncio vazio da solidão...

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