terça-feira, 23 de novembro de 2010

Soneto à estrela principal por Sergio Martins



Assim como vozes que transitam néscias diante da sabedoria,
ela escondeu-me os olhos imitando a estrela principal
cujo poder vem anoitecer-me num rebuliço visceral;
e vitimado à mudez ignorante senti o pranto da noite ao dia.

No frescor de Novembro a palmeira encenava com o pensamento
meu e o clima revirou meu corpo igual às manhãs carinhosas
do céu brasileiro, e tão logo, suas curvas terminaram suntuosas
num muro alto e me dava apenas a imaginação lançada ao vento.

Além das cores, luzes e texturas da obscuridade dessa menina,
meu tempo sem graça e sem pecado cativa-se à memória da
leveza de suas horas frias que ainda perfumam minha rotina.

Pois em olhando-me sob o gotejo primaveril qual afeto extemporâneo,
a graça amordaçou-me os conceitos, a tarde ventilou o ânimo e o meu
choro submergiu-se à água tépida de seu rosto perdido e momentâneo.

Imagem: http://www.allthelyrics.com/forum/general-discussion/64621-poems-and-song-meaningful-prose-2.html

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