segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Soneto à solidão amiga por Sergio Martins


Qual imprevisível céu de Belém do Pará, neste clima metamórfico,
esvazia-se o copo que dorme à boca seca e fria,
a água ardente adormece a dor do corpo e cria-
após muitos goles-, na alma, o alento: personagem triste e utópico.

Há uma festa nos dias quietos, o vazio da vida outonando é um meio
que levará o ser a ser-si-mesmo, a música feito tragédia teatral
no velho coração, é nova e dançante nos cenários desse natal,
nos lábios das crianças flutua a poesia viva de cada manhã e cheio

de ver os transeuntes cabisbaixos, num fundo, o céu banhou o chão,
choveu no dia de sol, os pardais se aninharam em amor,
as flores e o barro ofertaram seus perfumes exultantes de gratidão.

Ora, o que é pior, a solidão ou a ausência? A perda ou a dor do infindo "por quê"?
“Saudade sempre” ou “vazio até logo!?” O que te cala não são os dias, o vazio não é um só. 
A música será vã e de nada valerá a poesia se esse nada nadar em você...

Imagem: http://www.gostodeler.com.br/index.php

Um comentário:

NELL SANTOS disse...

É, amigo... o vazio nunca é um só. Quando ele chega (e como chega!) atrai tantos outro vazios que se a gente não aprende a nadar nesse "nada" que nos invade, sucumbiremos com certeza... Eu tenho aprendido a nadar nesse "nada" um pouco a cada dia, já engoli muitos vazios mas sobrevivi. Amei o texto! Instigante, questionador...

Beijos!!!

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