quinta-feira, 18 de julho de 2013

Gaiola - Sergio Martins






Ultimamente, os pesadelos resolveram me alcançar: você passa cabisbaixo pela estrada poeirenta ignorando o meu chamado, e eu , transeunte daquele caminho barroso e agourento vejo tua face maculada de rancor como bandeira inimiga conquistando o meu reino indefeso, tua boca de nobre delícia onde entrava o ar de minha vida exalando seu único e imenso amor, teu corpo escurecido pelo sol era o papel em branco onde eu deveria desenhar minha história...
A tarde desmaia enquanto fico paralisada, vejo o seu distanciar calado como um andarilho perdido que se entrega ao frio da morte num pântano tenebroso, suas costas envergadas que parecem carregar o peso de um mundo intratável semelhantes aos meus olhos decaídos de vergonha e medo...
Neste frio, o céu se veste de obscuridade e você, menino livre, ainda é o astro maior em que me banha de luz: seu carinho incomum, sua voz que fica em mim, seus passos largos que me levam ao parque de suas diversões, seus quadris dançantes, suas mãos quentes sobre a nevasca de minha epiderme... E longe do teu amor estranho e alegre, eu me vejo inerte como um pássaro agonizante na Gaiola...


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