terça-feira, 2 de julho de 2013

Joana - Sergio Martins






Joana desconhecia premonição, mandinga, visões do além ou ciência.
Não tinha búzios, tarôs, orixás, guias, caboclos... apenas “sabidência.”
Joana, a mais sabedora de tudo, nunca leu a mão
ou teve Bíblia Sagrada; mas trazia muita informação.
Ana era rica, Graça nem tanto e dona Maria, sempre venerada;
Joana, na pindaíba, possuía o dom de saber e por isso era odiada.
Jamais viu defumador, tomou banho de ervas, usou figa contra o mal,
“baixou santo”, foi à missa e sempre passou longe de ser intelectual.
Embora fosse a mais temida e respeitada,
sequer teve contato com alma penada,
contudo, havia os que a amavam de verdade
porque muito fizera pro bem da comunidade
que não tinha câmeras ou seguranças, pois ela tomava conta direitinho
e malandro a tratava com reverência e perto dela ficava “pianinho.”
O que ela falava era “tiro e queda”, sem exagero!
fosse quem fosse, perto da velha e “fora da linha”, era um desespero!
Joana “não tinha eira, nem beira”, tinha “olho vivo” como maior riqueza,
embora aumentasse, não mentia e  já foi mais recomendada que rezadeira;
uns tinham raiva, até mesmo pânico, outros sentiam dó ou lhe achavam faceira;
Coitada, sendo pequena entre as feras, criou sua habilidade – a de ser fofoqueira!

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