terça-feira, 2 de julho de 2013

Sobre boas e más companhias ou o porquê de eu amar tanto meus amigos - Sergio Martins





No caminho em que ando equilibrando-me entre penhascos e vales pantanosos, nunca fui boa influência para os politicamente corretos. Jamais nutri a capacidade para o fracasso dos sem opinião, dos caras-de-pau que não se decidem, não se assumem e que dizem "vou bem, obrigado!", dos que veem o "circo pegar fogo" e não estão "nem aí" por estarem ligados na novela do horário nobre, por já terem garantido o pão sobre à mesa, dos melancólicos que existem dentro de uma prisão moral-social-psicológica e vivem sob uma máscara... Apesar de a razão não ser dona do meu destino, não vejo ela, a razão, na ideologia do sucesso que vende o sonho americano, na ditadura da felicidade ou no triunfalismo fútil e capitalista do mercado religioso. Na adolescência, aprendi a ter opinião própria, formar opinião, não ser Maria-vai-com-as-outras... Daí, sempre ouvia: não ande com Serginho, ele é um mau elemento... Elas é que tinham a tal da razão; mães sempre querem o melhor para seus filhos... E isso me foi de grande utilidade, pois aprendi a não cultivar amizades utilitárias. Foi melhor assim: ser exagerado e viver com sentido. É isso, o bom jogador sabe a hora de parar de jogar; o bom da vida não é o prazer pelo vício, mas o vício pelo prazer. E tão logo fiz 33 anos... Sem desejar cometer alguma gafe, perdoe-me a infeliz comparação, mas minha idade nos remete à fictícia “idade de Cristo”. E Ele, como todo diferencial, nunca foi ou é boa companhia para quem quis ou quer viver na utópica segurança existencial e na corrida maluca pelo Ter sem jamais desfrutar dos gozos do Ser-si-mesmo. 

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