sábado, 30 de outubro de 2010

Cai por Sergio Martins


Cai: mais um nível da ligeira felicidade.
Cai: o zero que se entendia ser absoluto, mais baixo fica.
Cai: de tantos cais falazes a esperança fez-se ironia, e já nem se acredita na possibilidade de uma queda maior.
Cai: no aprendizado que demora fazer levantar, mas que promove a sensação de desamparo num conformar-se com o terror do imprevisível.
Cai: o segredo do interior da casa que se torna visível no tempo estranhamente belo.
Cai: o brilho prateado a regar o semblante decaído.
Cai: tremor de medo á luz dos lampejos.
Cai: para esclarecer que a causa da queda nunca é a tal chuva quando as visões do interior da casa confundem-se com o perverso tempo que cai.

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