sábado, 16 de outubro de 2010

Fim de festa por Sergio Martins

É hora de partir pro barulho que vai calar
mais uma pergunta – sombra a me ocultar.
Descerá pela garganta o doce de um ardor,
outro trago de quem nunca traga a dor.

E só se pode voltar quando toda aquela luz se apagar,
o cansaço do jogo perdido é “ninguém” quem vai pagar.
Cachorros que ladram e fantasmas até que são boa companhia,
Cadilac`s e fuscas na loja ou no ferro-velho também são velharia.

Sou livre pois vivo em minha própria cadeia
e acho prazer até mesmo quando ela está cheia.
O amanhã acorda e dança o voo breve – ressaca de mar.
Mas cada noite traz uma dama, uma cama onde sou par.

O vinho também acabou
e ela, outra vez disse não,
o dia silencioso já raiou
e nunca sei que horas são.

Minha casa mora em qualquer esquina,
a eterna juventude não é utopia, doa a quem doer.
O que sou já não é maior que minha sina;
só um louco tem fé que a melhor recompensa é viver.

Foto: http://minhavidaemgramas.zip.net/arch2008-11-01_2008-11-30.html

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