sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Todo tempo, o mundo todo por Sergio Martins


É tempo todo de crise,
é todo tipo de crime:
beleza que agride,
frieza que incide,
tédio por acaso,
marasmo pelo atraso,
horas que entristecem,
dias que aborrecem,
adolescentes que preocupam,
entorpecentes que anestesiam,
filosofias que amortizam,
quedas que quedas principiam,
religiões que não aliviam,
infância furtada dos que sonham,
crianças que abortam,
adultos que aterrorizam...

Tudo quanto é gente tem mente decrescente e mente que nem sente;
é o crente-que-é-crente que não se vê ensandecido e que ensandece,
é o descrente se achando inocente do seu problema,
é o vagabundo anunciando que é vítima do sistema.

Vida repugnante,
velhice amargante,
trabalho escravista – suor e sangue em vão,
amor não vingado – pecado sem perdão.

Doença, pobreza, vergonha, medo, fuga, culpa – é só mais um no rol;
cadê o sonho americano, a democracia, o socialismo, o lugar ao sol?

Humanidade moderna e consumista,
está consumado o humano humanista,
talvez seja apenas uma sensação de inutilidade
por ter sido afundado pela futilidade.
Indiferença à toda miséria, bravatas, preconceito total,
superaquecimento global – viva o progresso universal!

Radioatividade: primeiro mundo, grande potência,
armas de destruição em massa, planeta em emergência.

Tá na moda – falar de solidariedade.
Tá uma zona – homicídio, suicídio na cidade.
Tá na moda – assistencialismo, lazer e arte na favela.
Tira onda – o famoso que dribla, ganha milhões e não se rebela.
Tá na cola – a polícia quer o crioulo do morro e o playboy também.
Dá revolta – todo tempo, o mundo todo empaca num só vai-e-vem.

É tempo todo de crise.
É todo tipo de crime.
É tudo parte de um todo: é só paixão, ódio e desdém.
É o todo todo indo ao topo: morte que morte não tem.

Clip arte: http://www.corneliodigital.com.br/index.php?s=noticia&&cat=economia&&id=4044

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