quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cena por Sergio Martins







Muda esse tom. Deixa de fazer cena.
Desliga esse som.
Não tem mais conversa.
Mais uma das suas...
Não aguento mais.
Arrume suas coisas sujas.
Minha mala está cheia; não volto jamais...
Deixastes tudo arrasado: garrafas de licor lançadas na cama,
o cheiro do teu maldito cigarro, as taças e louças caras quebradas na lama
desse temporal que levou tudo ao chão...

Ah! Eu quero voltar ao doce lar de minha criação.

Não tente ser bom que eu nem caio nessa.
Vá pro seu Bourbon que vale mais à pena.
Fui mais uma das suas, tão tola e incapaz...
Se afunde; pois volto às ruas dessa lua cheia que míngua demais.
Criastes meu mundo encantado, amarras de dor, jogadas e dramas,
o leito do teu pouco afeto e amparo... Nas praças das loucas e baratas ganharei pão e fama.
Em cena teatral me afundaste o coração...

Ah! Não vou mais voltar ao doce lar de minha criação.

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